3.8.09

Sense or sensibility?

Sempre quando vejo ou leio algo que me faz pensar sobre coisas da vida fico calada, mergulhada num devaneio profundo. Na maioria das vezes acontece mais quando leio, porque é nos livros onde encontro constante refúgio pra esse mundo.
E hoje, ao terminar de ler a última folha de Sense and Sensibility (Razão E Sensibilidade), escrito por Jane Austen em 1811, ficou mais do que claro a suspeita que tive enquanto o lia: o melhor livro que já tive a oportunidade de ler. Não pela história em si, mas por algumas passagens em que me senti ali dentro, passagens que tocaram meu coração. Resolvi compartilhá-las aqui.

" - [...] Mamãe, quanto mais conheço o mundo, mais me convenço de que jamais encontrarei o homem que eu possa realmente amar. Sou tão exigente! Ele precisa ter todas as virtudades de Edward, e a sua pessoa e maneiras devem adornar essas qualidades com todos os encantos possíveis."

"Sabia que não podia receber ajuda do conselho ou das conversas com elas, pois a ternura e a aflição delas aumentaria sua própria angústia, enquanto seu autocontrole não receberia encojamentos nem do exemplo nem dos elogios delas. Ela era mais forte sozinha, e o seu bom senso amparava-a tão bem, a sua firmeza era tão inabalável, a sua aparência alegre tão invariável quanto possível em meio a aflições tão recentes e tão amargas."

" - Não consigo, não consigo - exclamou Marianne -; deixe-me, deixe-me, se a pertubo. Deixe-me, odeie-me, esqueça-me! Mas não me torture assim. Ah, como é fácil falar em controle para aqueles que não tem seus próprios motivos para sofrer! Feliz, feliz Elinor, você não tem ideia de como estou sofrendo.
[...]
- Não diga isso, Marianne. Você não tem nenhum consolo? Não tem amigos? Será que a sua perda não deixa margem para nenhum reconforto? Por mais que sofra agora, imagine só o que teria sofrido se só tivesse descoberto o caráter dele muito mais tarde... [...] Cada dia a mais na infeliz confiança, da sua parte, teria piorado ainda mais o desastre."

" - Não, não - exclamou Marianne -, uma desgraça como a minha não tem orgulho. Não importa quem saiba que estou arrasada. O triunfo de me ver assim pode ser distribuído a todo mundo. Elinor, Elinor, os que sofrem pouco podem ser tão orgulhosos e independentes quanto quiserem, podem resistir ao insulto ou devolver a humilhação... mas eu não posso. Tenho de sentir... tenho de estar arrasada... e sejam eles bem-vindos para apreciar a consciência disso..."

"[...] A tranquilidade com que consigo agora lidar com o caso, o consolo que tenho estado disposta a aceitar, foram o resultado de um esforço constante e doloroso. Não vieram do nada. No começo, eles não vieram aliviar a minha alma..."

"[...] O mundo tornara-o estravagante e vaidoso; a estravagância e a vaidade tornaram-no insensível e egoísta. [...] O amor que contra toda honra, todo sentimento, todos os seus melhores interesses havia arrancado de si, agora quando não mais permitido, governava todos os seus pensamentos."

" - Já não sinto saudades - disse Marianne - no que diz respeito a ele. Não pretendo dizer-lhes quais foram os meus sentimentos por ele, e sim quais são eles agora. No momento, se pudesse ser tranquilizada sobre um ponto, se pudesse pensar que ele não esteve sempre desempenhando um papel, não esteve sempre me iludindo... Mas acima de tudo, se pudesse garantir-me que ele nunca foi tão mau como meus temores às vezes o imaginaram, [...]"

"Quanto a Willoughby... seria inútil dizer que logo o esquecerei ou que um dia o farei. Sua lembrança não pode ser apagada por nenhuma mudança de circunstâncias ou de opiniões. Mas será controlada, será reprimida pela religião, pela razão e pelas constantes ocupações."

"Marianne Dashwood nascera para um destino extraordinário. Nascera para descobrir a falsidade de suas próprias opiniões [...] Nascera para superar um amor formado aos dezessete anos de idade e, com um sentimento não superior à forte estima e à intensa amizade, dar voluntariamente a sua mão a outro homem! [...] Marianne jamais podia amar pela metade, e todo seu coração se tornou, com o tempo, tão devotado ao marido quanto antes fora a Willoughby."

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