Quando o vento gelado bate em meu rosto, é uma sensação gostosa, de liberdade, me faz sentir mais viva.
Já são altas horas agora. O silêncio é como a mais bela música para os meus ouvidos. Como se todo o caos do dia tivesse agora uma razão: sentir esse silêncio no final.
Pela janela, olho a cidade iluminada. Fico ali durante vários minutos, apenas me perguntando aonde estarei daqui a alguns anos, à quem pertenço, se farei a diferença para alguém ou se serei apenas mais uma na multidão.
Às vezes sinto como se todos soubessem aonde ir e eu estivesse parada, sem nem um mapa nas mãos. Como se tudo ao meu redor estivesse passando bem rápido e eu não fosse capaz de acompanhar.
Eu tenho medo, eu tenho pressa, tenho vergonha, tenho um amor em seus suspiros finais pulsando aqui dentro, tenho orgulho ferido, tenho sede, quero ir longe, quero fazer tudo do jeito certo que até me sufoca.
A lua, com sua palidez que cega, me assiste lá de cima. Ela sempre foi uma ótima amiga. Ela ouve o meu pedido. Ela ouve?
Penso nesse mundo enorme. Essa imensidão me fascina e, ao mesmo tempo, me assusta.
Estou sem sono agora.
Só uma palavra: PROFUNDOO!
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